< >

O setor sucroenergético no Brasil

As usinas brasileiras moeram 653,3 milhões de toneladas de cana na safra 2013-2014, matéria-prima utilizada para a produção de 37,7 milhões de toneladas de açúcar e 27,5 bilhões de litros de etanol, de acordo com informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). A entidade representa as principais unidades produtoras de açúcar, etanol (álcool combustível) e bioeletricidade da Região Centro-Sul do país, responsáveis pela maioria da produção nacional do setor.

  • Ampliar imagem
  • Ampliar imagem
  • Ampliar imagem

Região Centro-Sul

Segundo os dados apurados pela entidade, as usinas produtoras de cana do Centro-Sul registraram moagem 12,05% superior na safra 2013-2014, totalizando 596,9 milhões de toneladas. A produção de açúcar na safra manteve-se estável em relação à safra anterior, totalizando 34,3 milhões de toneladas (0,58% superior).
No período, as vendas de etanol ao mercado doméstico cresceram 19,70%, somando 25,6 bilhões de litros. Desse total, 14,6 bilhões de litros foram referentes a etanol hidratado, 15,30% mais que na safra anterior. As vendas de etanol anidro, por sua vez, somaram 11 bilhões de litros, aumento de 26,06% no comparativo com a safra 2012-2013, quando o nível de mistura de anidro na gasolina era de 20%.

Em maio de 2013, o governo federal aprovou o aumento do nível de mistura de etanol anidro à gasolina, que passou a ser de 25%. Essa ação foi decisiva para o expressivo aumento nas vendas do produto. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) a capacidade de produção de etanol para a safra 2014-2015 é superior à registrada na safra 2013-2014. No caso do etanol anidro, a capacidade apontada pela ANP é de 101 milhões de litros diários, em comparação aos cerca de 70 milhões/dia produzidos na safra passada.

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar teve queda de 1,65% na safra, atingindo 133,3 kg/tc (quilos por tonelada de cana), em comparação aos 135,6 kg/tc observados na safra anterior.

Crise

A indústria do etanol vive a maior crise de sua história, impactada, principalmente, pela política de controle de preço da gasolina nas refinarias de petróleo. Nos últimos anos, o governo federal manteve os valores em patamares praticamente inalterados, limitando também os preços do etanol hidratado, que concorre com a gasolina nos postos de abastecimento. Além disso, o setor deixou de ser competitivo com a retirada da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) para cada litro de gasolina. Desde a criação, em 2001, a alíquota já foi reduzida de R$ 0,50 por litro de gasolina para R$ 0,091 antes de ser zerada, em junho de 2012.

Em consequência a esse cenário, houve queda de investimentos em renovação de canaviais, além dos problemas climáticos que atingiram três safras consecutivas, aspectos que contribuem significativamente para a queda de produtividade.

O resultado dessa conjuntura negativa é que, ao longo das cinco safras recentes, 44 usinas fecharam (de um total de 384), segundo informações da Unica. Das usinas restantes, 33 estão em recuperação judicial e 12 não moerão cana na safra 2014-2015.

Perspectivas

A Unica, em conjunto com os demais sindicatos e associações de produtores da região Centro-Sul e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), projeta uma moagem de 580 milhões de toneladas, redução de 16,94 milhões de toneladas em relação ao total processado na última safra. A estimativa divulgada incorpora um crescimento de área disponível para colheita, mas uma queda significativa na produtividade agrícola do canavial, fruto do longo período de estiagem observado no final de 2013 e início de 2014.

Os dados apurados e compilados pela entidade, bem como o mapeamento da lavoura a partir de imagens de satélite, indicam um aumento em torno de 5% na área disponível para colheita na safra 2014-2015. Esse baixo crescimento decorre da menor renovação do canavial (queda do plantio de 18 meses) e do significativo volume de cana-de-açúcar não processada na safra 2013-2014, a chamada cana bisada – tem como característica o menor teor de sacarose – que deve representar cerca de 3% da área a ser colhida em 2014-2015.
Do total de cana-de-açúcar a ser processada na safra 2014-2015, a Unica estima que 56,44% deverá ser destinada à produção de etanol, aumento de 1,66 ponto percentual em relação ao valor registrado na safra anterior. Com isso, a produção de açúcar projetada é de 32,5 milhões de toneladas, queda de 5,23% no comparativo com a quantidade apurada na safra 2013-2014.